Sete pedras coloridas gravadas com os símbolos dos chakras, dispostas em círculo sobre uma superfície em tom terroso
Estudos Esotéricos

Os 7 Chakras: Significado, Cores e Como Equilibrar Cada Um


Você já deve ter ouvido alguém dizer que está com o “chakra do coração fechado” ou que precisa “abrir o terceiro olho”. Os chakras são um dos conceitos mais conhecidos do esoterismo, mas quase sempre aparecem de forma solta, sem explicar de onde vêm e o que cada um significa. Neste guia você vai conhecer os sete chakras principais, um por um: onde ficam, o que a tradição associa a cada um e como trabalhar com eles no dia a dia.

Este post é baseado no livro Os Chakras, de C. W. Leadbeater. 📖 Você pode adquirir a obra completa na Shopee, no TikTok Shop ou no Mercado Livre.

O Que São os Chakras

A palavra chakra (em sânscrito, cakra) quer dizer “roda” ou “círculo”. Segundo a tradição do yoga e do tantra indiano, além do corpo físico que a gente vê e toca, existe um corpo sutil, feito de energia vital, chamada de prana. Essa energia circula por milhares de canais finos, os nadis. Os chakras são os pontos onde esses canais se encontram e formam centros de força, como rodas girando ao longo da coluna, da base até o alto da cabeça.

Os três canais principais, segundo essa tradição, são:

  • Sushumna: o canal central, que sobe pelo meio da coluna e atravessa todos os chakras
  • Ida: o canal lunar, associado ao lado esquerdo, à calma e ao receptivo
  • Pingala: o canal solar, associado ao lado direito, à ação e ao ativo

Na base da coluna, a tradição descreve uma energia adormecida, enrolada como uma serpente: a kundalini. O objetivo final de muitas escolas de yoga é despertar essa energia e fazê-la subir por Sushumna, atravessando chakra por chakra até o topo da cabeça, onde se daria a união com o divino.

Nos textos clássicos, cada chakra é descrito como uma flor de lótus com um número próprio de pétalas, e cada pétala leva gravada uma letra do alfabeto sânscrito. Por isso você vai ver muitas imagens de chakras desenhados como flores.

De Onde Vem Esse Conhecimento

Os chakras aparecem em textos tântricos indianos e budistas desde a Idade Média, e cada escola descrevia um número diferente de centros: quatro, cinco, seis, às vezes mais. O sistema de sete chakras que se tornou o mais conhecido vem principalmente de um texto escrito em Bengala, na Índia, em 1577: o Ṣaṭ-Cakra-Nirūpaṇa (“Descrição dos Seis Centros”), do mestre Pūrṇānanda Svāmī. Ele descreve seis chakras ao longo da coluna e um sétimo centro acima da cabeça, o lótus de mil pétalas, que coroa todo o sistema.

Esse conhecimento chegou ao Ocidente por dois caminhos principais:

  • A Sociedade Teosófica, fundada por Helena Blavatsky em 1875 (veja o post sobre Teosofia e a filosofia de Blavatsky), que trouxe conceitos orientais como prana e kundalini para o público europeu e americano desde o fim do século XIX.
  • Sir John Woodroffe, juiz britânico na Índia e estudioso do tantra, que publicou em 1919, sob o pseudônimo de Arthur Avalon, o livro The Serpent Power (“O Poder da Serpente”), com a tradução do texto de Pūrṇānanda e longos comentários. Foi essa obra que firmou o sistema de sete chakras no Ocidente.

Em 1927, o teósofo Charles W. Leadbeater, o mesmo autor do post sobre clarividência, publicou The Chakras, que no Brasil saiu pela Editora Pensamento como Os Chakras. Segundo a própria editora, foi por muito tempo a única obra sobre o tema em português, e continua sendo um clássico.

Os 7 Chakras, Um Por Um

Abaixo, cada chakra com o nome em sânscrito, a localização, o número de pétalas do lótus (segundo o texto clássico), o elemento, o mantra-semente (bija, a sílaba sagrada entoada pra ativar aquele centro) e a cor mais usada hoje. As qualidades emocionais e espirituais associadas a cada um seguem a leitura ocidental moderna, a mais difundida hoje em livros, aulas de yoga e terapias holísticas.

1. Muladhara: o Chakra Raiz

  • Significado do nome: “raiz” ou “base de sustentação”
  • Onde fica: na base da coluna, no períneo
  • Pétalas: 4 · Elemento: terra · Mantra: LAM · Cor: vermelho

É o alicerce de todo o sistema e o lugar onde dorme a kundalini. Está ligado à segurança, ao pertencimento, à sobrevivência e ao contato com o chão: ter casa, sustento, saúde do corpo, sentir-se firme no mundo. Quando está em harmonia, a tradição diz que a pessoa se sente estável, presente e confiante. Em desarmonia, aparecem medo, insegurança e a sensação de “não ter chão”.

2. Svadhisthana: o Chakra Sacral

  • Significado do nome: “a própria morada” ou “lugar do eu”
  • Onde fica: abaixo do umbigo, na região do baixo-ventre
  • Pétalas: 6 · Elemento: água · Mantra: VAM · Cor: laranja

Como a água, é o centro do movimento, do prazer, da criatividade e das emoções. Está associado à sexualidade, à capacidade de sentir prazer nas coisas simples da vida e de deixar as emoções fluírem. Em harmonia, traz alegria e criatividade. Em desarmonia, a tradição associa culpa, rigidez emocional ou, no extremo oposto, excessos.

3. Manipura: o Chakra do Plexo Solar

  • Significado do nome: “cidade das joias” ou “cidade brilhante”
  • Onde fica: na altura do estômago, acima do umbigo
  • Pétalas: 10 · Elemento: fogo · Mantra: RAM · Cor: amarelo

É o “sol interior”: o centro da força de vontade, da autoestima, da coragem e do poder pessoal. É a energia de tomar decisões, colocar limites e realizar. Em harmonia, dá determinação e confiança. Em desarmonia, aparece como falta de iniciativa, sensação de impotência ou, ao contrário, necessidade de controlar tudo.

4. Anahata: o Chakra do Coração

  • Significado do nome: “o som que não é tocado”, o som primordial que nasce sem que nada se choque
  • Onde fica: no centro do peito
  • Pétalas: 12 · Elemento: ar · Mantra: YAM · Cor: verde (às vezes rosa)

É o chakra do meio: três abaixo, ligados à matéria, e três acima, ligados ao espírito. Por isso é visto como a ponte entre o mundo material e o espiritual. Está associado ao amor, à compaixão, ao perdão e à conexão com os outros. É dele que se fala quando alguém diz estar com o “coração fechado” depois de uma decepção.

5. Vishuddha: o Chakra da Garganta

  • Significado do nome: “purificação” ou “especialmente puro”
  • Onde fica: na garganta
  • Pétalas: 16 · Elemento: éter (o espaço, akasha) · Mantra: HAM · Cor: azul-claro

É o centro da comunicação, da expressão e da verdade: falar o que se sente, ouvir de verdade e viver de forma coerente com o que se acredita. Em harmonia, a pessoa se expressa com clareza e sinceridade. Em desarmonia, a tradição associa dificuldade de dizer “não”, medo de falar ou, ao contrário, falar sem pensar.

6. Ajna: o Terceiro Olho

  • Significado do nome: “comando” ou “percepção”
  • Onde fica: entre as sobrancelhas, um pouco acima
  • Pétalas: 2 · Elemento: a mente (já além dos cinco elementos) · Mantra: OM · Cor: anil (azul-escuro)

O famoso terceiro olho é o centro da intuição, da imaginação, da visão interior e da sabedoria. Segundo a tradição, é por ele que vêm os pressentimentos e as percepções sutis. É também o centro que Leadbeater relaciona ao desenvolvimento da clarividência. Se esse é o seu interesse, o post sobre como desenvolver a intuição traz exercícios práticos.

7. Sahasrara: o Chakra Coronário

  • Significado do nome: “mil pétalas”
  • Onde fica: no alto da cabeça (ou logo acima dela)
  • Pétalas: mil, número que simboliza o infinito · Cor: violeta ou branco

O lótus de mil pétalas fica, segundo o texto clássico, acima dos outros seis e fora da contagem deles. É a coroa de todo o sistema. Está ligado à espiritualidade, à conexão com o divino e à consciência de unidade com tudo o que existe. É o destino final da kundalini na sua subida. Não tem mantra próprio: é associado ao silêncio que vem depois do OM.

Tabela Resumo dos 7 Chakras

Chakra Onde fica Elemento Mantra Cor Tema principal
Muladhara (raiz) Base da coluna Terra LAM Vermelho Segurança, estabilidade
Svadhisthana (sacral) Baixo-ventre Água VAM Laranja Prazer, criatividade, emoções
Manipura (plexo solar) Estômago Fogo RAM Amarelo Vontade, autoestima
Anahata (coração) Centro do peito Ar YAM Verde Amor, compaixão
Vishuddha (garganta) Garganta Éter HAM Azul-claro Comunicação, verdade
Ajna (terceiro olho) Entre as sobrancelhas Mente OM Anil Intuição, visão interior
Sahasrara (coronário) Alto da cabeça Além dos elementos Silêncio Violeta / branco Espiritualidade, unidade

E as Cores do Arco-Íris?

As cores do arco-íris, do vermelho na base ao violeta no topo, são a forma mais conhecida de representar os chakras hoje, e é a que usamos na tabela acima. Essa sequência se firmou no Ocidente ao longo do século XX e ficou popular por ser fácil de visualizar na meditação.

No texto clássico de Pūrṇānanda, cada lótus tem sua própria paleta: o Muladhara, por exemplo, aparece com pétalas vermelhas e um quadrado amarelo no centro, símbolo da terra, e o Svadhisthana com pétalas cor de vermelhão e uma lua crescente branca. Leadbeater, pela clarividência, também descreveu cores e brilhos próprios para cada centro. Hoje as duas leituras convivem, e muitos praticantes usam as cores do arco-íris como ponto de partida para a visualização.

A Visão de Leadbeater: Rodas de Luz no Corpo Etérico

Para Leadbeater, os chakras não são uma metáfora: são estruturas que ele dizia enxergar pela clarividência. Em Os Chakras, ele descreve esses centros na superfície do duplo etérico, a camada de energia que, segundo a Teosofia, envolve e sustenta o corpo físico. Ele os via como depressões em forma de pires, ou vórtices, que giram sem parar, uns lentos e apagados, outros rápidos, brilhando e pulsando com uma luz viva, conforme o desenvolvimento espiritual da pessoa.

Ele dizia que por esses vórtices entra a energia vital vinda do Sol e de planos mais elevados, que depois se espalha pelo corpo. Uma diferença marcante em relação ao sistema indiano: no lugar do Svadhisthana, Leadbeater coloca um centro do baço, que para ele seria responsável por receber e distribuir a vitalidade solar pelo organismo. Essa é uma das particularidades da escola teosófica, e por isso vale ler as duas fontes para conhecer as duas visões.

O Que Significa um Chakra “Fechado” ou “Desequilibrado”

Na linguagem do dia a dia, fala-se muito em chakra “fechado”, “bloqueado” ou “desequilibrado”. Segundo a visão holística moderna, cada chakra pode estar com pouca energia (quando as qualidades dele faltam na vida da pessoa) ou com energia em excesso (quando essas qualidades aparecem de forma exagerada). A ideia de “equilibrar” é trazer cada centro de volta ao meio-termo.

Importante: essa é uma leitura espiritual e tradicional, não um diagnóstico. Cansaço, ansiedade, dores ou qualquer sintoma físico ou emocional persistente pedem a avaliação de um médico ou psicólogo. As práticas abaixo podem ser um complemento de bem-estar, mas não substituem acompanhamento profissional.

Práticas Simples para Trabalhar os Chakras

Meditação de visualização, da base ao topo

  1. Sente-se confortável, com a coluna reta, e feche os olhos.
  2. Respire fundo algumas vezes, devagar, até o corpo relaxar.
  3. Leve a atenção à base da coluna e imagine ali uma esfera de luz vermelha girando suavemente. Fique de três a cinco respirações nela.
  4. Suba para o baixo-ventre e visualize a luz laranja. Depois o estômago, amarelo; o peito, verde; a garganta, azul-claro; entre as sobrancelhas, anil; e o alto da cabeça, violeta ou branco.
  5. No fim, imagine as sete luzes acesas ao mesmo tempo, ligadas por um fio de luz ao longo da coluna. Respire mais algumas vezes e abra os olhos devagar.

Dez a quinze minutos já bastam. O mais importante é fazer com regularidade, e não por muito tempo de uma vez.

Entoar os mantras-semente

Cada chakra tem sua sílaba: LAM, VAM, RAM, YAM, HAM, OM. Uma prática tradicional é entoar cada uma em voz alta e prolongada (por exemplo, “LAAAMMM”), sentindo a vibração na região do chakra correspondente, subindo da base até o terceiro olho. Depois do OM, fique alguns momentos em silêncio, que é o “mantra” do coronário.

Usar cristais

Na prática moderna com cristais, cada chakra tem pedras associadas, geralmente pela cor. Uma forma simples de usar é deitar e colocar cada pedra sobre o ponto do seu chakra durante a meditação:

  • Raiz: jaspe vermelho, hematita, turmalina negra
  • Sacral: cornalina
  • Plexo solar: citrino, olho de tigre
  • Coração: quartzo rosa, quartzo verde (aventurina)
  • Garganta: sodalita, água-marinha
  • Terceiro olho: ametista, lápis-lazúli
  • Coronário: quartzo transparente, selenita

Para conhecer melhor cada pedra, veja o Compêndio de Cristais. Antes de usar, vale limpar as pedras: o post sobre como limpar e recarregar cristais na lua cheia mostra o passo a passo.

💛 Ao comprar por aqui, você também ajuda: todo o valor arrecadado nessas vendas entra na Corrente do Bem.

Erros Comuns de Quem Está Começando

  • Querer “abrir” tudo de uma vez. As tradições sempre recomendaram ir devagar, criando uma base firme nos chakras de baixo antes de buscar os de cima. Uma árvore só cresce alto se tiver raiz.
  • Dar atenção só aos chakras “espirituais”. É comum focar no terceiro olho e no coronário e esquecer a raiz. Sem chão, a tradição diz que a pessoa fica aérea e dispersa.
  • Tratar o chakra como causa de tudo. Os chakras são um caminho de autoconhecimento, não uma explicação pronta para todos os problemas. Nem toda tristeza é “chakra do coração fechado”.
  • Forçar o despertar da kundalini. Os próprios textos tântricos falam desse processo como algo para ser feito com um mestre e com muita preparação. Para quem está começando, meditação, respiração e mantras são mais do que suficientes.

Para Se Aprofundar

Quer conhecer a obra clássica que apresentou os chakras ao Ocidente, com as pranchas coloridas originais?

Quer outra visão aprofundada, que une o yoga tradicional a décadas de pesquisa sobre os chakras?

Fontes

  • PŪRṆĀNANDA SVĀMĪ. Ṣaṭ-Cakra-Nirūpaṇa (“Descrição dos Seis Centros”). Bengala, Índia, 1577.
  • AVALON, Arthur (Sir John Woodroffe). The Serpent Power. Londres: Luzac & Co., 1919. Tradução comentada do Ṣaṭ-Cakra-Nirūpaṇa.
  • LEADBEATER, Charles W. Os Chakras. São Paulo: Editora Pensamento. Original: The Chakras, 1927.
  • MOTOYAMA, Hiroshi. Teoria dos Chakras: Ponte para a Consciência Superior. São Paulo: Editora Pensamento. Original: Theories of the Chakras, 1981.

💛 Ao comprar por aqui, você também ajuda: todo o valor arrecadado nessas vendas entra na Corrente do Bem.